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Ex-PM em Ji-Paraná deixa profissão e namoro para virar seminarista em MT

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São necessários oito anos de formação teórica para se tornar padre, mas a dedicação à comunidade é para toda a vida. Com uma rotina totalmente regrada, os 34 jovens do Seminário Cristo Rei, localizado em Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá, se dedicam à faculdade de Filosofia e de Teologia, além das atividades sacerdotais preparatórias antes de serem ordenados. Em entrevista ao G1, eles falaram sobre suas rotinas e da vocação para o sacerdócio.
Anualmente, cerca de 80 jovens procuram o Seminário, mas a média dos que realmente ingressam nos estudos varia entre 10 a 15. Após todos os anos de estudo, menos da metade chega a se tornar padre.
O dia começa cedo para aqueles que decidiram dedicar a vida a Deus. Levantam às 5h e diariamente realizam diversas tarefas como ir à faculdade, participar de missas, praticar esporte, estudar e ajudar na organização do local. Programas como ir ao cinema e à sorveteria também estão liberados, mas tudo programado.
Todas as manhãs os jovens seminaristas passam quatro horas no Studium Eclesiástico Dom Aquino Corrêa, o Sedac, que fica fora do pátio do Seminário. Estudam juntos 130 seminaristas de 10 dioceses de Mato Grosso. Eles têm uma única tarde livre, pois até mesmo em alguns finais de semana prestam serviço às paróquias de cidades vizinhas. No final do ano, podem passar os 30 dias de férias com suas famílias.
Segundo eles, o sacrifício não é diferente de um pai ou mãe de família que precisam se abdicar de muitas vontades pessoais para cumprir sua vocação. Na verdade, eles contam que esse processo de aceitar ser uma pessoa chamada por Deus não é simples, requer paciência. Tanto é que os três seminaristas entrevistados pelo G1 relataram que tentaram seguir uma vida “normal” antes de decidir pelo Seminário.
Elber Bravin, de 27 anos (foto), foi policial militar no 2ºBPM em Ji-Paraná por mais de seis anos. Declara que tentou esconder o sentimento de ter sido escolhido por Deus desde criança e só agora, no primeiro ano de Filosofia, sente-se uma pessoa completa. Mesmo trabalhando mais de 10 horas por dia, sentia que faltava algo que realmente fosse capaz de preencher sua existência. “Meu olhar para o sacerdócio era muito humano. Não via sentido em deixar toda uma vida de lado. Eu tentei ignorar, mas chegou um ponto em que não era mais possível”, relatou.
O seminarista ainda se lembra do dia que teve coragem de conversar sobre esse assunto pela primeira vez. Procurou um padre e questionou como uma pessoa saberia se fosse chamada e recebeu a resposta definitiva: “Deus chama cada pessoa de um jeito, mas quem é chamado sabe que o é, sente em seu íntimo”.
Exercendo a profissão de policial, foi convidado a fazer parte do grupo de treinamento e relata que a experiência de ser um “pai” não biológico para esses jovens contribui para que entendesse sua missão. “A paternidade não é apenas a relação de sangue, é muito mais. É a doação, a abnegação e dedicação”. Para ele, o maior sacrifício foi deixar a polícia, porque também foi uma realização pessoal. “Mas tenho certeza de que Deus quer que eu esteja aqui nesse momento”.
Já Edevando Acindino Martins está no 6º ano de Teologia e, aos 29 anos, confessa que ainda precisa aprender muito. “A compreensão é dada no caminho. Aos poucos começamos a enxergar a verdade”.
Vindo de uma família religiosa, o seminarista dizia desde criança que seria padre. Mesmo assim, na adolescência e no início da fase adulta relutou e chegou a ser auxiliar administrativo de uma grande multinacional por mais de cinco anos. “Já morei em diferentes cidades em razão das transferências do trabalho, passei por muitas experiências e conheci pessoas. Namorei algumas vezes, mas a angústia e inquietação estavam sempre presentes”, admite.
Com Tainan Hubner, de 23 anos, também não foi diferente. Há oito meses deixou o 4º ano da faculdade de Química que fazia em Minas Gerais para enfim seguir a vida sacerdotal. O jovem desde criança sentia a vontade de ser padre e foi coroinha por muitos anos. Na adolescência r

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